Kakegurui: Apostando tudo… Na hipersexualização feminina

Kakegurui é um anime que se passa em um colégio. Essa é uma das premissas mais clichês que existem para quem gosta de anime. Porém, a história traz uma reviravolta interessante. O colégio Hyakkaou é um dos melhores do Japão, e seus estudantes são filhos das pessoas mais importantes e abastadas da sociedade. Provar seu valor neste colégio é muito simples: basta ser um bom apostador em jogos de azar. A hierarquia e as estruturas de Hyakkaou são colocadas de cabeça pra baixo com a chegada de Yumeko Jabami, uma garota viciada em apostar, que leva os jogos ao extremo. Kakegurui foi produzido pelos estúdios MAPPA (Yuri!!! on Ice, Garo) e distribuído internacionalmente pela Netflix. Em um mercado onde boas ideias são cada vez mais escassas e histórias originais se tornam cada vez mais difíceis de encontrar, Kakegurui se destaca por introduzir ao público jogos de apostas diferentes, personagens bem característicos e uma trajetória de torneio que é difícil de largar antes do final. Essa crítica seria extremamente positiva se não fosse a forma como o anime foi executado.

Um jeito super normal de ficar parada.

A grande maioria das personagens principais são garotas e isso seria incrível se elas não fossem completamente sexualizadas. Yumeko tem seios enormes que só estão lá para enfeitá-la vulgarmente. As garotas usam saias minúsculas, e suas calcinhas constantemente estão à mostra. É grotesca a forma como as personagens são desenhadas, em poses eróticas e de mal gosto, as transformando em verdadeiros objetos.

Uma das coisas que mais me chocou foi a abertura do anime, que é um verdadeiro circo de horrores. De cara temos a visão da calcinha de Mary, seguida por frames ainda mais bizarros, que incluem Yumeko com o rosto enterrado em seios, Midari apontando sua arma para uma garota pendurada de cabeça pra baixo, Kirari e Sayaka postas de frente de forma sexual. O clipe ao final de cada episódio começa com um close demorado nos seios de Yumeko, e só reitera como as personagens são vistas como pedaços de carne.

Ao longo do anime temos diversas cenas constrangedoras e desnecessárias, como Midari se masturbando no banheiro por causa da adrenalina que sente ao correr perigo, Yumeko chegando ao ápice do prazer sexual quando joga, Mary sendo tratada como “pet” e esfregando demoradamente o chão com a bunda pra cima, dentre outras cenas que chegam a ser perversas. O problema não é termos personagens femininas com desejos ou atrações sexuais. O problema é conceber essas personagens como objetos, e colocá-las em situações absurdas.

Apesar de termos protagonistas femininas, elas são caracterizadas de forma completamente sexual, onde temos submissão, tratamento como “pet” ou “bicho” (garotos também podem ser pets, mas isso é mostrado brevemente no começo do anime, e foco cai sobre as mulheres), fetiches, e cenas explícitas (em dado momento, Midari pode ser vista “pingando” em cima de uma mesa). No final das contas, Kakegurui não é um anime sobre jogos de azar, e sim um anime sobre sexo. Um sexo que diminui a mulher e naturaliza a posição submissa da mesma.

Esse tipo de machismo escrachado é ainda mais revoltante quando observamos a classificação indicativa que a Netflix sugere: 12 anos. Podemos imaginar com facilidade meninas de 12 anos assistindo a esse anime e pensando que é daquele jeito desumano que elas devem ser retratadas; ou garotos de 12 anos pensando que tudo bem tratar uma menina como um objeto, “porque viu em um desenho”. Me embrulha o estômago pensar ainda mais a fundo, e perceber que o objetivo por trás da exposição das personagens, é agradar o público masculino, que se banqueteia com imagens humilhantes da mulher. Kakegurui é um verdadeiro hentai que você pode encontrar com facilidade no seu serviço de stream.

3 comentários em “Kakegurui: Apostando tudo… Na hipersexualização feminina

  1. Concordo plenamente. Quando assisti a live Action do anime, percebi que nada disso acontece, já no anime, assim que comecei a assistir, me senti super desconfortável com todos os cloeses desnecessários nas calcinhas das meninas e os gemidos altíssimos a cada cena do anime

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  2. Faltou falar da ending, moça

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  3. Na real eu tenho 11 anos e não vejo como se vá ter que ser retratada assim, sei lá elas só são loucas, e mesmo quase no século 22 a gente ainda uma sociedade de puro lixo então isso é de menos. 🙂

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