As referências históricas em The Handmaid’s Tale

Na nova edição do livro O Conto da Aia, a autora Margaret Atwood deixa claro  já na introdução que tudo aquilo sobre o que ela escreveu aconteceu em algum momento da humanidade; as regras, as leis e comportamentos impostos foram baseados em acontecimentos reais da nossa história. Isso apenas eleva o impacto da trama e a afasta de ser classificada como distopia, já que tem uma base tão concreta.

A série The Handmaid’s Tale, tão aclamada no ano passado e ganhadora do Emmy segue os eventos do livro na qual foi baseada e vai além, pois os produtores garantiram que a trama literária continuasse seguindo a regra de basear-se em fatos históricos. A seguir, veremos alguns dos elementos compositores de tal característica:

As Roupas

No universo de The Handmaid’s Tale, as castas nas quais as pessoas estão divididas são identificadas por suas vestimentas. Por exemplo, as esposas vestem azul, cor relacionada à pureza e à Virgem Maria, já as aias usam trajes vermelhos, cor associada à luxúria e à Maria Madalena. Ressaltando que essa associação vendo do fato de que a sociedade deles é baseada na religião.

Esse tipo de reconhecimento pelas roupas era comum no período medieval. Tecidos coloridos eram destinados à nobreza, pois tinham condições de pagar pelo tingimento, já as classes baixas usavam tonalidades mais sóbrias. Na Roma antiga o uso das togas se dava de acordo com a sua posição social, como o roxo para os imperadores. Assim é criado um sistema de controle: apenas de ver a pessoa você já sabe quem ela representa e o que deveria estar fazendo, tornando mais difícil para ela subverter a lógica dominadora.

Gravidez e esterilidade

Se você quer saber qual a influência das taxas de natalidade em um país pergunte ao Japão, que só vê as suas famílias ficando menores mesmo com todos os esforços do governo para incentivar mais nascimentos. Na China a taxa de fertilidade também está em declínio, na década de 70 eram 4,77 filhos por mulher e hoje só chega a 1,4. Dessa maneira criamos um cenário para um controle de natalidade mais extremo, se o país não tem condições de crescer em população, então consequentemente outros setores dele serão afetados no futuro.

Agora, falando em precedentes do controle sobre crianças pequenas temos dois casos. O primeiro foi em 1950, quando várias crianças da Groelândia foram retiradas de suas famílias para viveram na Dinamarca, com o propósito de serem reeducadas como “bons cidadãos dinamarqueses”. O segundo foi o programa nazista chamado Lebensborn, que passou por países como Letônia, Estônia e Ucrânia em busca de crianças que se adequassem ao padrão da “raça ariana”, elas eram retiradas dos pais e entregues a famílias alemãs para serem criadas fiéis aos preceitos do nazismo.

Outra questão apresentada é a de culpar as mulheres pela dificuldade em conceber, a ideia que se coloca na série é a de que elas estão ficando estéreis. Essa foi uma crença comum por décadas ao longo da história, um exemplo claro é o Rei Henrique VII, que se casou seis vezes em busca de um herdeiro homem e colocou a culpa em suas esposas pelos muitos abortos espontâneos e filhos natimortos que delas vieram.

Proibição de ler

Na série é mostrado como os direitos femininos vão sendo reduzidos aos poucos até que não lhes resta nada a não ser as funções as quais são designadas e muitas restrições, uma delas é a de não poder ler. É uma verdade universal que livros trazem conhecimento, dessa maneira o governo quer deixar as mulheres o mais ignorantes possível à situação em que se encontram. Restrições como essa espelham as censuras a livros praticadas em larga escala por regimes ditatoriais, além de episódios como a grande queima de livros em praça pública em 1933 promovida pelos nazistas, destruindo obras de autores como Albert Einstein e Sigmund Freud, ou o caso da Inquisição Espanhola, em que mais de 600 títulos considerados hereges foram para a fogueira.

Resistência “Mayday”

Movimentos de resistência foram uma realidade durante diversos regimes totalitaristas, em especial contra o Nazismo. A chamada Resistência Alemã era formada por pequenos grupos isolados cuja estratégia era persuadir lideranças das forças armadas da Alemanha a dar um golpe de Estado, eles se opunham aos parâmetros do regime nazista e objetivavam assassinar Hitler. Houve também grupos organizados na Polônia, França e Itália.

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