Resenha: de volta ao lar com Rubel

Há pouco mais de uma semana, Rubel chegou trazendo seu tão esperado Casas ao público. Após um intervalo de cinco anos do celebrado disco de estréia, Pearl (2013), o músico se entrega novamente a nós através da canção. O novo álbum tem um quê de retorno, um aconchego sonoro que nos convida a ficar. No entanto, a história com o álbum não começa aqui, é necessário retroceder um pouco para entender melhor o todo.

Tudo começa no fim de 2016 quando o projeto Natura Musical abriu um edital para financiamento de um disco, – na época ainda não se sabia ao certo, mas faria parte do selo lançado pela marca – a disputa contemplou um amplo leque de artistas nacionais e foi realizada através do voto popular no site do projeto.

Rubel foi um dos contemplados e assim começam-se os trabalhos.

O alento:

Em novembro de 2017 surge uma nova onda de expectativa, o primeiro single. “Colégio”, chega como um alento, ao mesmo tempo que traz algo novo dentro do que conhecíamos em seu trabalho.

O estranhamento:

Em fevereiro desse ano foi a vez de conhecermos o segundo single, “Chiste”, parceria com rapper paulistano, Rincon Sapiência, que no início gerou estranhamento por sua quebra nas expectativas. Boa parte do público esperava que o músico seguisse na mesma linha de canções do trabalho anterior, mas ele foi fiel ao que vinha dizendo a respeito de sua vontade expandir horizontes e testar novas formas de apresentar sua arte. E fez isso muito bem, mesclando sua mpb ao hip hop sem exageros, dando a ambos o espaço necessário dentro da música e mantendo a identidade.

Vale ressaltar que não houve só uma nova forma na musicalização, Rubel também se dedicou ao modo de compor que o rap e o hip hop usam, completando sua experiência no meio e ampliando sua forma de contar.

casasrubel

Casas, tem 14 faixas, contando os dois singles já citados.

“Intro”, nos ambienta e prepara para a imersão que está por vir.

A faixa seguinte é “Colégio”, intimista e nostálgica na medida certa, capaz de transportar seus ouvintes até suas experiências, um olhar para o passado que transita entre a leveza do não se pode mudar e o cansaço.

Em “Cachorro”, o lado experimental começa a aparecer de modo mais claro, com batidas tímidas, mas certeiras e um canto a liberdade e ao reencontro consigo mesmo “Eu quero sair/ Da minha própria vitrine/ Virar meu avesso/Poder dar no pé/ Feito um cachorro/ Nadando na água/ Sem nome, nem mimo, nem nada”.

“Pinguim”, traz uma bela costura da já tradicional orquestra presente em seu trabalho e os beats junto a uma conversa/recado sincera sobre um amor que ficou no passado.

“Casquinha” chega com um novo humor, o samba é uma ode ao desejo de cantar independente das circunstâncias, o puro cantar.

“Batuque” é um pequeno respiro, uma transição repleta de percussão.

Em “Mantra” é difícil destacar um só elemento. A parceria com Emicida além da tradicional rima precisa do rapper, traz um misto de referências, metais, percussão e um tom esperançoso que é arrematado pelo coro das Meninas da Serrinha.

“Passagem” é composta por trechos de um curta-documentário homônimo ao título da música, dirigido por Rubel em 2015. Os trechos costurados tornam-se uma conversa sobre futuro, medos e anseios.

“Explodir” nos transporta de volta ao romantismo com sua melodia leve e letra intensa.

“Sapato” é um convite a uma fuga romântica, no sentido mais tradicional e passional do termo “Depois a gente escuta o povo, a mãe, e o pai/ Agora a gente inventa um dia-a-dia novo”.

Em “Fogueira”, temos a última transição do disco, desta vez constituída por um arranjo de cello, violinos e viola.

“Partilhar” é uma velha conhecida do público. A roupagem acústica vista no Sofar Sounds foi deixada e por novo arranjo com direito a metais, piano e sample e um poderoso coro.

A composição de Gustavo Rocha, “Santana”, retoma e encerra o disco com tom introspectivo e certo cansaço, quiça uma leve amargura de quem viu demais “E pra sorrir/ Basta acordar ouvindo/ A música do gás/ Que já passou/ Não volta mais/ E o bem-te-vi/ Quis te calar”.

Em suma, Casas mostra a capacidade de reinvenção de Rubel, seu crescimento quanto artista e seu acerto ao ter – como dito pelo próprio em seu comunicado de lançamento – feito exatamente o disco que queria fazer.

A turnê de Casas já tem suas primeiras datas e passará por cidades do sudeste, nordeste e sul do país.

Confira abaixo o disco na integra e as datas da turnê:

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