Aos filhos que nossos pais gostariam de ter

quando nascemos, não sabemos de nada. não sabemos nem que não sabemos de algo. nascemos de forma espontânea, mas não jogados ao léu. fomos amados e cuidados desde o começo: nossos pais sempre estavam lá. aprendemos a andar, comer e falar com nossos pais.

nossa essência é moldada ao longo dos anos, e recebemos influência do mundo que nos rodeia, mas principalmente de nossos pais, que nos acompanham desde o princípio. porém, o que muitas vezes não é percebido por eles é que nossa essência é, antes de tudo, nossa. somos nossos próprios lares. e aparentemente se dar conta disso é um ato de extremo egoísmo. ao crescermos, damos adeus aos filhos que nossos pais gostariam de ter, e nos tornamos os filhos que somos. não somos perfeitos. mas somos as melhores versões de nós mesmos.

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Lady Bird (2017)

esta é uma carta para os filhos que nossos pais gostariam de ter:

“eu já fui você um dia. já fui o orgulho de minha mãe e a menina dos olhos de meu pai. já fui o campeão de leituras na biblioteca e já ganhei vários campeonatos de futebol. já usei maria chiquinhas e estudei coisas que para mim não faziam sentido, mas isto era esperado, então fiz. eu era exatamente como você.
eu cresci, e você não. engraçado como essa palavra parece quase um xingamento pra você. o pior e o melhor de crescer é descobrir quem você é. você não é a garotinha de maria chiquinhas ou o craque do time de futebol do colégio, você é muito mais do que isso. é humano, subjetivo, e lindo. e você não se dá conta disso, mas tudo bem. é por isso que eu não sou mais você. mas isso não quer dizer que você me deixou, ou eu decidi me desvencilhar de você. você faz parte de mim hoje, mas eu sou muito mais do que eu era, e vou ser muito mais do que sou. crescer é isso.
tudo bem não fazer sempre o que é certo, se você tiver consciência pra aprender com o que fez de errado. tudo bem seguir seu coração. tudo bem ser quem você é. você é corajoso, é inteligente, é sensível, é bonita, é meiga, é humana. nem sempre seus pais vão ficar felizes com as escolhas que você toma, mas se você sente que é o certo, faça mesmo assim.
você não cresceu, mas não quer dizer que ainda não possa.
você é você. e ser você é maravilhoso.”

 

Na capa: Bauerngarten (1907), por Gustav Klimt.

 

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