A Freira é mais um filme de terror tedioso e super rentável

A Freira é o quinto filme da franquia Invocação do Mal, que com dois filmes principais, três spin-offs, e uma receita combinada de US$ 1,432 bilhão, tornou-se a terceira franquia de terror mais rentável do mundo, perdendo apenas para Jurassic Park (US$ 4.94 bilhões) e Alien (US$ 1,645 bilhão). O filme possui direção do novato Corin Hardy (A Maldição da Floresta) e produção do já conhecido no circuito de terror, James Wan (Jogos Vorazes, Invocação do Mal) e estreou no Brasil na quinta-feira (06) com a maior bilheteria da semana, batendo recorde de audiência entre as produções de terror, com um público de 1,6 milhão de pessoas.

O filme conta a história do demônio em forma de freira, Valak, que aparece pela primeira vez em Invocação do Mal 2 (2016) e é mencionado novamente em Anabelle 2: A Criação do Mal (2017). O personagem ganhou um rápido favoritismo e ilustrou diversas ações publicitárias, chegando até a ser tema de uma “pegadinha” do Silvio Santos. Prevendo essa popularidade, a Warner Bros anunciou o spin-off que contaria sua origem, apenas cinco dias após o lançamento de Invocação do Mal 2.

Apesar de sua boa recepção nas bilheterias, o que pode ser atribuído à grande antecipação dos fãs, o filme não foi bem recebido pela crítica, e possui a segunda pior nota dentre as produções da saga no Metacritic, perdendo apenas para Anabelle.

A história começa de uma maneira clássica nas produções de terror: estabelece-se um cenário, neste caso o convento na Romênia em 1952, e cria-se um clima de medo, que nesse filme apela para sentimentos religiosos, em que o profano se apropria de símbolos sagrados, gerando uma sensação de inquietação no espectador. Este clima, porém, é incapaz de se sustentar ao longo do filme, e rapidamente torna-se caricato, o que pode ser, em parte, culpa do personagem Frenchie (Jonas Bloquet), alívio cômico desnecessário designado para a produção.

Na verdade, todo o trio principal falta carisma, são personagens rasos que não cativam o público. A noviça Irene (Taissa Farmiga) é introduzida de maneira interessante: uma jovem do convento prestes a dar seus votos para finalmente se tornar uma freira, mas não se deixando cegar pela religião. Sua primeira cena a mostra ensinando crianças sobre a evolução e explicando como religião e ciência se conectam. Ao longo do filme, porém, esse aspecto da personagem deixa de ser trabalhado, e ela entra numa jornada para Romênia apenas com as poucas explicações do Padre Burke (Demián Bichir) e sem fazer muitos questionamentos.

a freira filme
Apesar do sucesso de bilheteria, o filme peca em aspectos básicos | Foto: Divulgação

O Padre consegue ser um personagem ainda mais tedioso, ele é dito ser um funcionário especial do Vaticano que investiga ocorrências estranhas ligadas à Igreja Católica, o que seria interessante se ele fosse um personagem já introduzido na saga e fizesse conexão com outros filmes desse universo, o que não é o caso. Toda a questão de Burke deriva do fato de que anos atrás ele performou um exorcismo que ainda o assombra, pois causou a morte do exorcizado, um menino de cerca de 12 anos chamado Daniel. O exorcismo de Daniel, porém, não tem nada a ver com Valak, nem com o convento, o que não impede que o menino apareça diversas vezes como um espírito para importunar Burke e a audiência, que na terceira aparição já não aguenta mais saber de Daniel. Mas o pior membro do trio principal não deixa de ser o já mencionado Frenchie, que estraga qualquer tentativa de se estabelecer um verdadeiro clima de terror com piadinhas desnecessárias a toda hora, sendo um verdadeiro desserviço ao filme.

Apesar da fragilidade do elenco principal, o maior pecado de A Freira é outro: permitir que haja um confronto físico entre os personagens humanos e o espírito demoníaco. Todo o sucesso da Freira enquanto personagem provém de sua construção em Invocação do Mal 2, como um demônio muito poderoso que assombra Lorraine Warren (Vera Farmiga), parece ser indestrutível e está em todo lugar. Toda essa construção é jogada no lixo com o filme de 2018. Quando, em um filme de terror, você põe seres humanos no mesmo nível de confronto com uma entidade, com cenas de luta em que é possível dar socos e tiros, você tira todo o poder que essa criatura tem de dar medo e a transforma em uma grande piada. A batalha final com a Freira beira se tornar uma cena de Todo Mundo em Pânico, para isso faltava apenas uma Brenda (Regina Hall) para chamar a criatura de “branquelinha do poço”.

A franquia contará com mais dois lançamentos para o próximo ano, Invocação do Mal 3 e O Homem Torto, o último também será uma história de origem de um personagem de Invocação do Mal 2. Nos resta esperar e ver se o filme irá cometer os mesmos erros que A Freira.

CLASSIFICAÇÃO 3


FICHA TÉCNICA
A Freira – The Nun
Data de lançamento: 6 de setembro de 2018
Direção: Corin Hardy
Duração: 1h 37m
Sinopse: Presa em um convento na Romênia, uma freira comete suicídio. Para investigar o caso, o Vaticano envia um padre atormentado e uma noviça prestes a se tornar freira. Arriscando suas vidas, a fé e até suas almas, os dois descobrem um segredo profano e se confrontam com uma força do mal que toma a forma de uma freira demoníaca e transforma o convento num campo de batalha.

 

Foto destaque: Divulgação

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