5 poesias de: Karina Buhr

Karina Buhr é muitas coisas: cantora, compositora, atriz, ilustradora e escritora. Mas muito mais do que isso, Karina é uma expositora. Abrindo caminho na avalanche de sentimentos que permeiam o ser humano, ela consegue trazer à tona o sentir da forma mais crua e honesta possível.

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Karina Buhr lê ‘Desperdiçando Rima’  (Foto: Manoel Junior)

Em seu livro de estreia, ‘Desperdiçando Rima’ (2015), Buhr nos presenteia com demonstrações de tudo que brota dentro dela, em forma de poemas e ilustrações únicas. Alguns dos textos que compõem o livro se tornaram parte de seu último álbum, ‘Selvática’, demonstrando que suas palavras estão prontas para serem lidas, ouvidas, interpretadas, discutidas, criticadas e reconhecidas.

Neste post, separei cinco poemas que fazem parte de Desperdiçando Rima, sem nenhum critério de escolha. Apenas palavras que me provocaram reflexão, e podem fazer o mesmo com você, leitor. Ou não. Aí reside a beleza da arte.


Distorcendo o Poeta
Um poço de medo
um pouco de foda-se
um quartinho látex branco com colchão rodado
uma superstição amena
todo amor tem amores
que o próprio amor desconhece


Desperdiço-me
Hoje desperdiço-me
sentada nesse jardim vendo a vida passar por mim assim
Hoje desperdiço-me
vendo um pedaço de vida passar por mim e ir

E não faço nada pra conter
o desvio de poder
sobre mim
que passou de mim
pra você
quando te vi
pela segunda vez

Então desperdiço-te-me
nessa cansaço da vida que passa por mim

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Existo
Tem que ser mais tenso
tem que ter menos caracteres
ser mais rápido
mais objetivo
menos intenso
esse penso


Já Era
Quando você botou o dedo
no meu coração
abriu um rio
abri meus olhos
vi que a sala estava escura
e brilhava a pele dura
de paixão

Mas há tanto tempo eu espero
seu abraço rouco
não tem nenhum significado essa espera
sinceramente
acho que nosso amor já era
já era

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P r a i a  P e r s o n a
Bem prateadíssima que estava a água.
Era uma tarde bem São Paulo estadual, lado da praia.
Aqueles restos de mata atlântica que suspiram na pele, arrepiando a sensação.
Aquela água geladíssima, meio grossinha, acho que bem salgada talvez.
Aquele mormaço frio, inexplicável, com meu vocabulário de praias outras.
Mas entrei devagar mar adentríssimo, na direção de um microrredemoinho que começava a se formar.
O espiral que a água fazia pra dentro tinha umas cores metalizadas, talvez micro peixes, talvez fugindo de um peixe maior, monstro mamífero marinho.

Mas o aspiral redemoinho sugava e depois cuspia aquele mar todo, jorro prateado e dourado, incessantemente e sem fim.
Sugava tudo o que via, cuspia e de novo tragava.
E causou hipnose na personagem.

Foto destaque: Priscilla Buhr | Ilustrações: Karina Buhr

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