‘Venom’ diverte mas beira o desastre

Venom, um dos principais antagonistas do universo do Homem-Aranha, retorna para a tela dos cinemas após uma “participação especial” e longínqua na terceira produção do cabeça de teia em 2007. Desenvolvido pela Sony Pictures, o filme solo do anti-herói mostra que mesmo com um lado sombrio, é possível fazer uma boa ação, ou pelo menos tentar.

O enredo foca na vida de Eddie Brock (Tom Hardy), um jovem jornalista com um bom emprego e uma noiva gentil. Certo dia, ele acaba conseguindo uma entrevista com o CEO da Fundação Vida, Carlton Drake (Riz Ahmed), o qual possui acusações de realizar experimentos perigosos com cobaias humanas.  O furo de reportagem acaba sendo desastroso, custando o emprego do protagonista.

Após alguns meses, Eddie se depara com novas pistas a respeito da Fundação Vida, levando-o a invadir a corporação em busca de provas. No laboratório, o jornalista é pego de surpresa por um organismo alienígena conhecido como Venom. A partir deste ponto, Eddie precisa lidar com seu novo “amigo” enquanto torna-se fugitivo da fundação que tanto almeja desmascarar.

O primeiro ponto a ser analisado é a modificação na origem de Venom. O anti-herói chega ao planeta Terra através de uma espaçonave da Fundação Vida em queda livre. Este início possui uma tonalidade de suspense semelhante aos filmes de terror, no qual os simbiontes dão os seus primeiros passos no planeta, antes de serem encontrados e recolhidos pela instituição. Paralelamente a isso, somos introduzidos ao dia a dia de Eddie Brock. Essa alternância permeia durante boa parte do filme até o momento em que ambos os personagens se encontram.

O enredo simples acaba sendo previsível em alguns momentos. As cenas de ação são dosadas, o que impossibilitou um clímax consistente. Desde os momentos de fuga até os combates, as habilidades de Venom são reduzidas aos ataques corpo a corpo e a necessidade de sobrevivência. Para quem acompanha o personagem nas HQs, a demonstração limitada de seus poderes no filme pode gerar desconforto.

Outro fator inconsistente é a rapidez com que o relacionamento entre Eddie e Venom se desenvolve. Inicialmente somos apresentados a uma criatura alienígena que faz pouco caso de tudo e se comporta de forma autoritária para com seu hospedeiro. Em pouco tempo já há um sentimento de amizade e empatia que não foi trabalhado no decorrer do filme. Em outras palavras, Venom abandona seu lado primitivo e abraça a humanidade sem um contexto necessário para tanto.

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Eddie Brock (Tom Hardy) interagindo com Venom (Foto: Divulgação)

O maior desfalque se encontra no personagem Carlton Drake. O dono da Fundação Vida (responsável pela busca e captura dos simbiontes) detém um contexto mal explorado, tornando-o irrisório e previsível. Nem mesmo após a possessão pelo simbionte Riot, o vilão consegue escapar da caricatura que lhe é imposta.

Por outro lado, a atuação de Tom Hardy é o ponto mais positivo da produção. Por meio dele, o conceito de “O médico e o monstro” é imposto na interação entre os dois personagens que representa. O “bromance” entre o jornalista e o simbionte torna-se  responsável pela comicidade na trama. Enquanto Eddie busca fugir dos problemas, Venom almeja lidar com tudo de forma mórbida e hostil.

Venom chega aos cinemas trazendo um conteúdo razoável tanto para os fãs quanto para quem nunca teve contato com o personagem. Caso ocorra uma possível continuação, é necessário empenho e um roteiro mais promissor para aproximar o público da história do anti-herói.

CLASSIFICAÇÃO 2

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FICHA TÉCNICA
Venom – Venom
Data de lançamento: 4 de outubro de 2018
Direção: Ruben Fleischer
Duração: 2h 20m
Sinopse: Eddie Brock (Tom Hardy) é um jornalista investigativo, que tem um quadro próprio em uma emissora local. Um dia, ele é escalado para entrevistar Carlton Drake (Riz Ahmed), o criador da Fundação Vida, que tem investido bastante em missões espaciais de forma a encontrar possíveis usos medicinais para a humanidade. Após acessar um documento sigiloso enviado à sua namorada, a advogada Anne Weying (Michelle Williams), Brock descobre que Drake tem feito experimentos científicos em humanos. Ele resolve denunciar esta situação durante a entrevista, o que faz com que seja demitido. Seis meses depois, o ainda desempregado Brock é procurado pela dra. Dora Skirth (Jenny Slate) com uma denúncia: Drake estaria usando simbiontes alienígenas em testes com humanos, muitos deles mortos como cobaias.

Foto destaque: Divulgação

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