13 músicas atuais para gritar “SOU RESISTÊNCIA!”

É tempo de resistir! O Foca Alternativa selecionou 13 músicas novíssimas para expressar e reafirmar a liberdade presente em nossa voz como nação, diante dos descompassos da conjuntura política, desafetos ideológicos violentos e da clara ameaça que afronta o Estado democrático de direito conquistado por nós, brasileiras e brasileiros, com tamanha garra e consciência de que todas e todos, sem qualquer distinção, merecem dignidade e respeito. Confira:

1.‘O Que Se Cala’, de Elza Soares

Faixa que abre o último trabalho de Elza, ‘Deus É Mulher’ (2018), a música abraça uma brasilidade consciente de sua força política, cujo surgimento tem raízes na construção democrática embebida de diversos povos.

A voz da cantora comanda o compasso dos batuques, celebrando o território onde se pode protagonizar a livre expressão. Ao mesmo tempo, as estrofes questionam dores, extremismos e desvios tortuosos que ferem autonomias.

“minha voz uso pra dizer o que se cala 

o meu país é meu lugar de fala”

Em tempos indispensáveis ao entendimento do que é, de fato, lugar de fala, a canção-manifesto reafirma o espaço social de pertencimento o qual se deve exercer, sobretudo, se tentam calar a existência dele.

Segundo a filósofa Djamila Ribeiro, autora de ‘O que é lugar de fala?’, é importante compreender que “todo mundo tem lugar de fala”. Os desdobramentos dessa compreensão, ainda de acordo com ela, é que devem ser debatidos. “Às vezes as pessoas não entendem [e dizem] ‘ah, esse não é meu lugar de fala’, ‘eu não tenho lugar de fala’, mas um lugar de fala todo mundo tem porque está localizado socialmente, mas como que fala a partir do seu lugar de fala sobre outras questões? Então, a pessoa branca [por exemplo], deve discutir racismo, até porque faz parte do grupo que se beneficia dele, mas ela vai discutir a partir de um outro lugar”.


2. ‘Sinfonia da Revolução’ (CyphAir), de Rincon Sapiência, Nego E, Lívia Cruz, Tássia Reis, Rico Dalasam, Aori e Amiri

Os primeiros versos e batidas já revelam uma das melhores colaborações do rap nacional da última década. Afiados, Rincon Sapiência, Nego E, Lívia Cruz, Tássia Reis, Dalasam e Aori e Amiri, em suas sempre necessárias falas, traçam um quente panorama do momento social e político que acompanha aqueles a quem o sistema, corrupto e violento, sempre marginaliza. 

“ascensão pra eles é um ultraje

é fato, ameaça, o sistema reage

não somos só massa e não tamo pela viagem

o plano é insano e ele visa a liberdade”

A resistência da periferia ecoa. Citando Marighella, tido como inimigo “número um” da ditadura militar iniciada em 64, os artistas rasgam episódios infames cometidos por figuras políticas, convenções sociais decadentes e a truculência policial. ‘Sinfonia da Revolução’, como propõe o título, é a própria trilha para o evento.


3. ‘Bolso Nada’, de Francisco El Hombre (part. Liniker e os Caramelows)

Com nome em referência à lenda folclórica colombiana do músico viajante que carregava seu acordeão pelas cidades, e personagem do clássico livro ‘Cem anos de solidão’, de Gabriel García Márquez, a banda Francisco El Hombre levanta fortes bandeiras, a principal delas, em comum a personalidade do músico viajante, a liberdade.

Nos shows, a energia rítmica dos músicos atinge a aura do público de forma fluida, ímpar. Francisco El Hombre ao vivo é como um protesto no qual a realidade de encontrar a si e acolher o outro é total. Confesso que já fui a dois, em ambos, ‘Bolso Nada’ (faixa do álbum ‘SOLTASBRUXA’) faz levantar punho cerrado, pular e purpurinar sob o que não tem dignidade para, enfim, seguir caminhos de peito aberto e consciência justa.

‘Bolso Nada’, é um desabafo crítico e sincero acerca do nosso hoje. Sem censura, sem rodeios. Apenas verdades sobre a onda fascista disseminada por muitos e, principalmente, por um dos personagens mais podres que a História do Brasil tem o desprazer de apresentar.

“se a um fascista é concedido

cargo alto e voz viril

vai lucrar do desespero, tal loucura já se viu

bolso dele sempre cheio,

nosso copo anda vazio

mesquinhez e intolerância,

bolso nada que pariu

bolso dele sempre cheio

bolso nada que pariu

esse cara escroto, muito escroto!”


4. ‘Descolonizada’, de Larissa Luz

“Liberdade é não ter medo”. Foi essa a resposta de Nina Simone – quem dispensa apresentações – quando perguntada o que, para ela, seria um conceito tangível de liberdade. Dialogando com a afirmação, diga-se atemporalmente revolucionária, a cantora Larissa Luz, concebeu seu trabalho ‘Território Conquistado’ (2016), álbum sólido, marcante e que celebra a força da mulher negra.

Em ‘Descolonizada’, a artista, natural de Salvador, exalta o valor inalienável de ser dona de si sobrepondo amarras sociais e demonstrando a importância do orgulho no combate ao que é vil.

“não deixe que tentem te colonizar

te converter, te doutrinar

te alienar

eu quero voar

escrever o meu enredo

liberdade é não ter medo!

eu não vou entrar nessa jaula

eu não nasci pra ser adestrada

me deixa correr no espaço

deixa eu exibir a minha pele pintada”


5. ‘Como É Bom Ser Lésbica’, de Musa Híbrida  

O lirismo de Musa Híbrida é, mais uma vez, assertivo como uma espécie de mantra. Mulheres falando sobre viver e festejar o amor entre mulheres, diante de uma redoma patriarcal insistentemente sórdida e grotesca é indispensável, presente e REVOLUCIONÁRIO

“sexo é política

tribadismo estético

siririca lírica

como é bom ser lésbica”

As vozes das poetisas, mescladas ao som do bandolim característico de banda, destilam a beleza e a potência do feminino em sua morada, através da qual sentimento e corpo afirmam-se instrumentos políticos de libertação, jamais de aprisionamento.


Ouça a playlist completa: 

 

Foto destaque: Marc Riboud

Entrevista Djamila Ribeiro concedida ao Canal Curta [21/12/2017] – https://www.youtube.com/watch?v=S7VQ03G2Lpw

 

 

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