‘Bohemian Rapsody’ traz uma biografia acelerada, mas majestosa

“Hoje finalmente sou quem nasci para ser”. É com o ressoar dessas palavras que somos apresentados à vida de Freddie Mercury, enquanto o mesmo trilhava o sucesso com sua icônica banda, Queen. Produzido por Bryan Singer, ‘Bohemian Rapsody’ não se limita a um simples musical, mas personifica uma biografia respeitosa ao artista que detestava estereótipos.

Não há mistério algum na trama. Farrokh Bulsara (Rami Malek) é um jovem descendente de família indiana. O sonho de ser artista conduz o subversivo Farrokh ao encontro de Roger Taylor (Bem Hardy) e Brian May (Gwilym Lee), com quem formaria uma das bandas que mudariam o mundo da música, o Queen. Abandonando seu antigo nome, Freddie Mercury caminha até a conquista de seus sonhos enquanto enfrenta as dificuldades de lidar com seus companheiros, assim como sua sexualidade.

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O filme retrata processos criativos da banda (Foto: Divulgação)

O principal ponto positivo é a atuação de Rami Malek no papel do protagonista. O ator passou um bom tempo estudando o comportamento e os trejeitos de Freddie Mercury, resultando em um excelente desempenho. Embora Malek não consiga se desvincular do comportamento caricato durante parte do longa, eventualmente o ator personifica com maestria seu papel, desde os movimentos mais simples como fumar um cigarro até a forma como pega no microfone, anda pelo palco e interage com o público.

Quem busca uma cronologia totalmente assertiva pode acabar se decepcionando, pois o filme mantém um ritmo acelerado, alterando datas de eventos importantes. O Rock in Rio de 1985 no qual a banda Queen foi a principal atração, foi adiantado para cinco anos antes (1980). Assim como o show do Live Aid de julho de 1985 foi alterado para janeiro do mesmo ano.

A exclusão de momentos dos bastidores também deixa a desejar. A forma como Freddie Mercury descobriu estar com AIDS e a atitude para lidar com essa situação foi colocada sem qualquer aprofundamento. Além disso, existe uma ausência da participação de David Bowie, limitado a uma citação. Da mesma forma, o relacionamento com Jim Hutton (Aaron McCusker) foi tão sutil a ponto de ganhar relevância apenas nos minutos finais do filme, com as informações divulgadas nos créditos.

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Freddie Mercury e David Bowie nos bastidores do Live Aid, em 1985 (Foto: Divulgação)

Ainda sobre a trama acelerada, os conflitos, em sua maioria são resolvidos da forma mais ligeira possível. É como se todo o egocentrismo do personagem e as desavenças com a banda e sua noiva Mary Austin (Lucy Boynton) desaparecessem com o tocar de uma música ou um aperto de mão amistoso. Inclusive, os “vilões” são descartados tão rapidamente que não é lhes dado o devido tempo para se desenvolver e adquirir relevância.

Claro que sendo um filme que aborda a história de um ídolo da música, suas produções receberam um destaque digno no decorrer da trama. Colocadas em momentos chave do filme, “Love of My Life”, “Who Wants To Live Forever”, “Under Pressure” e “We Are the Champions”, estrategicamente despertam aquela sensação de nostalgia do público e acentuam os dramas da vida do cantor. Um exemplo disso é o espetáculo no Live Aid, onde Malek encarna tão bem Freedie Mercury que nos sentimos presentes no momento.

‘Bohemian Rhapsody’ é um equilíbrio de qualidade entre elementos reais e emotivos. A fusão de Malek e Mercury permite uma experiência difícil de resistir para os fãs da banda Queen, assim como um entretenimento a altura da voz do ilustre cantor que ressoa até os dias de hoje.

CLASSIFICAÇÃO 4


FICHA TÉCNICA
Bohemian Rapsody – Bohemian Rapsody
Data de lançamento: 1 de novembro de 2018
Direção: Bryan Singer
Duração: 2h 15m
Sinopse: Bohemian Rhapsody é uma celebração exuberante do Queen, sua música e seu extraordinário cantor principal Freddie Mercury, que desafiou estereótipos e quebrou convenções para se tornar um dos artistas mais amados do planeta. O filme mostra o sucesso meteórico da banda através de suas canções icônicas e som revolucionário, a quase implosão quando o estilo de vida de Mercury sai do controle e o reencontro triunfal na véspera do Live Aid, onde Mercury, agora enfrentando uma doença fatal, comanda a banda em uma das maiores apresentações da história do rock.

 

Foto destaque: Divulgação.

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