‘O Ritual’ aborda mitologia nórdica em forma de suspense

“Há algo na floresta. Algo grande”. Essa simples frase sintetiza a principal trama de ‘O Ritual’, produção da Netflix que aborda a mitologia nórdica, um elemento pouco aprofundado em produções cinematográficas. Dirigido por David Bruckner, o roteiro foca na viagem de quatro amigos que passam a ser caçados por algo tão antigo quanto à floresta em que se perdem.

Inspirada em um romance de Adam Nevill, a trama é bastante simples ao contar a história de Luke (Rasfe Spall), Hutch (Robert James Collier), Phil (Arsher Ali) e Dom (Sam Troughton), quatro amigos universitários que decidem viajar pelas montanhas do Parque Nacional de Sarek, Suécia, em memória ao falecimento de um colega querido. A viagem acaba se tornando um pesadelo quando Dom machuca o joelho, fazendo com que o grupo decida cortar caminho pela floresta. O que eles não sabiam era que o local é lar de uma entidade antiga.

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Luke, Hutch, Phil e Dom relembrando do falecido amigo, Robert (Foto: Divulgação)

O filme aposta no ocultamento da criatura durante boa parte da trama, e o foco do suspense se mantém na interação do grupo diante da situação. Após a morte de Robert, os quatro amigos buscam manter uma amizade já desgastada, o que resulta em diversos conflitos. A sensação de que algo os vigia desperta insegurança para quem assiste, assim como uma curiosidade para entender o que realmente se passa ali, uma vez que as pistas são escassas.

A fotografia é excepcional por utilizar-se do clima natural do cenário para mostrar a floresta como um ambiente extenso, belo e misterioso. Além disso, as jogadas de câmeras estão em sintonia com o gênero do filme. Em outras palavras, no momento certo estamos próximos dos personagens para absorver o drama que os circula, assim como ficamos distantes o suficiente para presenciar as mudanças de cenário, da mesma forma que a entidade que os espreita.

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Algo vigia cada passo dos viajantes em sua jornada (Foto: Divulgação)

O roteiro de Joe Barton se utiliza de símbolos antigos e flashbacks para deixar o passado mais claro para quem assiste, embora este não seja o principal motivo para que estes elementos sejam utilizados. A entidade que os persegue possui um contexto mal explorado, mas detém informações suficientes para se tornar relevante. Pode-se afirmar que a sutileza de sua presença seja o principal fator para a imprevisibilidade dos sustos.

Por outro lado, a falta de aprofundamento no monstro faz com que este seja o principal problema do filme. É certo que o mesmo detém uma ligação com um dos viajantes, contudo, a forma como isso é exposto deixa aquele sentimento de dúvida, que poderia ter sido eliminado com uma contextualização menos acelerada. Se o monstro em si detém parte do suspense, nada mais justo do que abordá-lo com mais ênfase.

‘O Ritual’ é um suspense adequado para quem busca um entretenimento fora do padrão. Sua imprevisibilidade torna o longa misterioso e empolgante de um modo satisfatório. Afinal, diante de tantas opções de filmes do gênero, fica difícil conseguir algo “fora da caixa”.

CLASSIFICAÇÃO 4


FICHA TÉCNICA
O Ritual – The Ritual
Data de lançamento: 9 de fevereiro (exceto no Brasil)
Direção: David Bruckner
Duração: 1h 34m
Sinopse: Um grupo de amigos da faculdade se reúnem para uma viagem à floresta e quando chegam lá, encontram uma presença ameaçadora que passa a persegui-los.

Foto destaque: Divulgação

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