‘Aquaman’ tem potencial e abre caminho para novas produções da DC

As adaptações cinematográficas da DC Comics têm muito a provar antes mesmo de saírem do papel. Competindo diretamente com o já consolidado Universo Cinematográfico Marvel (MCU), o Universo Estendido DC (DCU) parece sempre estar correndo atrás de algo aparentemente inalcançável.

A comparação entre os dois universos é completamente injusta, começando pelo fato de que o MCU começou em 2008, com ‘Homem de Ferro’, e o DCU apenas em 2013, com ‘Homem de Aço’. Por ser pioneira na adaptação de seus quadrinhos para o cinema na forma de um universo compartilhado, a Marvel definiu certos padrões para filmes de super-heróis: grandes produções, pancadarias em robôs, filmes mais leves (para atrair massivamente o público) e piadas sem graça.

A DC tentou fugir de alguns desses padrões no controverso ‘Batman vs. Superman: A Origem da Justiça’ (2016) e consolidou seu sucesso com o ótimo ‘Mulher-Maravilha’ (2017), mas no filme mais recente da franquia, ‘Aquaman’ (2018), encontramos um estúdio ainda confuso sobre como trazer as ótimas histórias dos quadrinhos para as telonas.

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‘Mulher-Maravilha’ foi um verdadeiro fenômeno social e cultural, abordando pontos importantes como feminismo e representatividade | Foto: Warner/Divulgação

O filme acontece após os eventos de ‘Liga da Justiça’, e conta a história de origem de Arthur Curry, filho de um faroleiro e da rainha Atlanna, do Reino de Atlântida. Arthur é mestiço e vive na superfície, porém, quando jovem, foi treinado pelo atlante Vulko, tendo controle de seus poderes.

Convocado por Mera para resgatar um artefato perdido e evitar uma guerra entre o povo da superfície e os atlantes, Arthur enfrenta a já conhecida jornada do herói para se tornar o Aquaman. Em termos de roteiro, o filme não inova muito, já que traz alguns elementos batidos e frases que todo mundo sabe de cor e salteado.

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Um dos desafios do filme era desassociar o herói da imagem cômica criada em ‘Superamigos’, na década de 70 | Foto: Hanna-Barbera

Um dos principais desafios do longa era repaginar a imagem do Aquaman, que virou alvo de chacota na cultura pop, já que no desenho ‘Superamigos’ da década de 70, o herói era um verdadeiro meme ambulante. O diretor James Wan (Jogos Mortais, Invocação do Mal) comentou sobre o desafio em entrevista: “Como todos sabemos, Aquaman é alvo de piadas no mundo dos super-heróis. Há algo legal sobre isso. Amo a ideia de ser o azarão, chegando com uma visão para esse personagem azarão e surpreender completamente as expectativas das pessoas. Tipo, ‘Ah, você pensava que ele seria um personagem incompetente? Não, não, não. Ele vai ser tão legal!’“. A façanha foi realizada com sucesso já com a escalação de Jason Momoa para o papel. O ator ficou conhecido como o impiedoso guerreiro Khal Drogo em ‘Game Of Thrones’, e conseguiu transformar Arthur Curry em um personagem misterioso e intimidante.

O filme é interessante pois aborda elementos históricos e míticos. O ser humano tem pouco conhecimento do oceano, e um certo fascínio por lendas como a de Atlântida, e James Wan soube aproveitar essa curiosidade. Trazendo criaturas impressionantes e um Reino belíssimo, o diretor busca despertar o imaginário do espectador com suas imagens, que seriam mais críveis se o CGI fosse melhor.

As cenas de luta são bem coreografadas, inclusive as que se passam embaixo da água; e as atuações, no geral, positivas. O grande ponto alto do filme é, obviamente, Amber Heard no papel de Mera. A atriz se destaca, conseguindo transpor a complexidade de sua personagem para a tela, muitas vezes ofuscando Momoa.

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Mera, interpretada por Amber Heard, é o grande destaque do longa | Foto: Warner/Divulgação

Outras atuações merecem destaque, como a de Nicole Kidman como Rainha Atlanna, Patrick Wilson como Orm, e Yahya Abdul-Mateen II no papel de Arraia Negra, que apesar da participação corrida e um pouco confusa, trouxe carisma para o longa.

Obviamente o filme possui vários momentos “vergonha alheia”, que não posso deixar de mencionar, como diálogos piegas e momentos que deveriam ser dramáticos mas chegam a ser cômicos (todas as cenas do Aquaman adolescente).

‘Aquaman’ é divertido e cumpre o proposto para um filme de herói; mostrando que a DC está no caminho certo, e aumentando as expectativas para os próximos filmes do Universo, como ‘Shazam!’ (2019) e ‘Mulher-Maravilha 1984’ (2020). Se você quer assistir um filme complexo e cult, passe longe; mas se você quer desopilar por algumas horas e conhecer a história de origem de um dos super-heróis mais icônicos da DC, vá fundo!

P.S.: O filme tem cena pós-créditos.

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FICHA TÉCNICA
Aquaman – Aquaman
Data de lançamento: 13 de dezembro de 2019
Direção: James Wan
Duração: 2h 22m
Sinopse: Aquaman aprende que não pode fazer tudo sozinho quando começa uma jornada com Mera em busca de um algo muito importante para o futuro de Atlantis.

 

Foto destaque: Warner/DC

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