Críticas Filmes/Séries

Umbrella Academy e o reboot da Netlfix

Dirigida por Steve Blackman, série traz adptação da HQ criada por Gerard Way e Gabriel Bá

‘The Umbrella Academy’, mais uma das séries originais lançadas pela Netflix, entra como uma das novas apostas do catálogo.

Após a Disney anunciar sua própria plataforma de streaming, o que gera certo suspense a respeito do que pode acontecer, a Netflix apresenta mais produções adaptadas.

Baseada nos quadrinhos homônimos criados por ninguém menos que Gerard Way –ex vocalista da banda My Chemical Romance e símbolo da geração Emo – em conjunto com Gabriel Bá, célebre quadrinista brasileiro, públicada pela Dark Horse Comics, a narrativa de ‘Umbrella Academy’ explora a vida e os conflitos emocionais de sete irmãos.

 

A história seria mais um caso comum se os jovens em questão não fossem um tanto peculiares, a começar por seu nascimento e a forma como são unidos como família, sem contar as habilidades extraordinárias que cada um possui.

Ao contrário do ritmo que estamos acostumados, o enredo caminha rápido, introduzindo tramas e subtramas que pintam o amplo cenário de protagonistas e suas respectivas linhas narrativas. Essa velocidade se mostra muito necessária para dar o tom de excentricidade que a série precisa, fugindo do segmento clichê do gênero e encontrando equilíbrio ao entregar cenas absurdas e momentos emotivos com precisão.

As personagens são desenvolvidas de forma com que o espectador se interesse por cada um e se aprofunde pouco a pouco em suas nuances, desvendando o passado intrincado que possuem.

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The Umbrella Academy já é a maior audiência da Netflix segundo a Parrot Analytics | Foto: Reprodução

Apesar das diferenças gritantes, os Hargreeves compartilham algo que vai além de sua origem, a humanidade. Não se trata simplesmente de heróis, pessoas predestinadas a salvar o mundo mas, antes de tudo, pessoas que cometem erros, falham, sentem e abusam de seus poderes, ou falta da deles, tudo de maneira natural e genuína, sem aquele papo de “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”, o que aproxima e cria um sentimento de identificação.

A linearidade em conjunto com o ritmo da narrativa nos dá a impressão de uma grande e única peça, como o próprio diretor da série, Steve Blackman, disse em entrevista à VICE, “é um filme de 10 horas, não uma série de 10 horas”. A diferença pode parecer pequena, analisando à primeira vista, mas é um detalhe fundamental na construção do todo e em sua estrutura, em que cada episódio se conecta de maneira fluida.

Tomando certa liberdade poética, pode-se dizer que o conjunto funciona como uma ópera rock, tal qual de certa forma o trabalho que Gerard desenvolveu a frente do MCR funcionava.

Trilha Sonora

É impossível falar na nova produção da Netflix e ignorar o trabalho que foi feito na trilha sonora. Presente todo o tempo, a música funciona como um fio condutor ao longo de toda a série. Diferente deBaby Driver’que pontua suas cenas de ação com uma trilha eletrizante, ‘The Umbrella Academy’ a utiliza como arma em diversos momentos.

É ela quem dá o tom e traz vivacidade para a narrativa, seja como um ponto de equilíbrio nas sangrentas cenas de luta enfatizando a excentricidade da dupla de caçadores atemporais Hazel e Cha Cha, ou trazendo leveza ao romantismo. É o complemento que a torna maior que o rótulo de “série de herói”.

A mescla de grandes vozes como Nina Simone e Freddie Mercury, clássicos como The Doors, e queridinhos do indie como Radiohead e Noel Gallagher, além das novas roupagens como “Happy Together” (feita por Gerard e o também ex MCR Ray Toro) com a trilha original de Jeff Russo fazem com que os arcos narrativos surjam, lapidando a sensação de familiaridade e expectativa balanceada do que está por ser mostrado.

HQ

Apesar das costumeiras reclamações dos consumidores assíduos de quadrinhos, Steve Blackman conseguiu transcrever o universo presente nas HQ’s para o audiovisual com maestria, o que não significa fazer de cada frame uma cópia exata do que está nas páginas concebidas por Way e Bá.

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HQ ‘Suíte do Apocalipse’ | Imagem: Divulgação

Blackman uniu o conteúdo presente nos dois números de ‘Umbrella Academy’ (‘Suíte do Apocalipse’ e ‘Dallas’) e o moldou para a tv, ou melhor dizendo, usou o conceito atual de tv/multimídia e ao fazê-lo deu pequenos presentes ao público, como a presença de Hazel e Cha Cha ao longo de todos os episódios e um fluxo menos difuso ao intercalar os saltos temporais e o enredo de cada personagem. 

No entanto, o uso do conteúdo dos dois números na primeira temporada levanta algumas questões e também suspeitas: depois de um hiato de quase 10 anos desde a publicação de ‘Dallas’, o segundo e até então último número, Gerard e Gabriel voltaram a trabalhar juntos, não só na produção da série, mas também em um novo número ‘Hotel Oblivion’, que teve sua primeira parte lançada no final de 2018.

Portanto, o que se imagina é que a segunda temporada venha ao encontro da HQ em construção. A certeza que podemos ter até o momento é a curiosidade e a expectativa que a session finale deixou no ar.  

Imagem destaque: Divulgação / Edição de Conteúdo: Andreza Reis

 

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